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Julho 31, 2017

Dia do Orgasmo: Será que há o que comemorar? 

Perineal anatomy. : Ilustração de stock


São Paulo, 31 de julho de 2017 – Hoje é Dia do Orgasmo, mas para metade das brasileiras não há o que comemorar. Segundo pesquisa realizada pelo Projeto de Sexualidade da Universidade de São Paulo (Prosex), 55,6% das brasileiras apresentam dificuldades para atingir o orgasmo. A ausência do orgasmo nas mulheres é considerada uma disfunção sexual, que leva o nome de Transtorno Orgásmico Feminino, ou popularmente chamado de anorgasmia.

Os vilõesdo orgasmo feminino

Segundo Marina Simas de Lima, psicóloga, especialista em Sexualidade Humana, Terapeuta,, para a mulher atingir o orgasmo é preciso a combinação de fatores biológicos, psicológicos e culturais. “As causas físicas mais comuns do Transtorno Orgásmico envolvem doenças que atingem o sistema nervoso, como a esclerose múltipla, doença de Parkinson e epilepsia, por exemplo. Depois temos as doenças crônicas, como diabetes e a aterosclerose que interferem na circulação sanguínea, essencial para a função sexual”, comenta Marina.

Para Denise Miranda de Figueiredopsicóloga, terapeuta de Casal,, as causas psicológicas também são importantes. “A culpa sexual é bastante prevalente, normalmente ligada à educação religiosa ou mais repressora. Ansiedade, estresse, depressão e conflitos nos relacionamento também são frequentes, assim como baixa autoestima, problemas com a imagem da região genital e falta de conhecimento da própria anatomia vaginal”, explica Denise.

Segundo as especialistas, o uso de medicamentos antidepressivos é outro fator que contribui para o Transtorno Orgásmico. Eles podem retardar ou tirar totalmente a capacidade de atingir o orgasmo. Uma pesquisa de 2006 mostrou que cerca de um terço das mulheres que tomam os antidepressivos Inibidores Seletivos da Recaptação da Serotonina (ISRS) relatam problemas com o orgasmo.

Vaginas são diferentes, orgasmos idem
Um mito bastante arraigado na crença popular é sobre o tipo de orgasmo feminino: vaginal ou clitoriano. Algumas mulheres só conseguem atingir o orgasmo com a estimulação do clitóris e outras conseguem com a penetração. A explicação pode estar nas diferenças das ramificações do nervo pudendo, responsável pela sensibilidade do períneo, lábios vaginais, ramos retais e clitóris. Quando este nervo se ramifica leva a diferenças na sensibilidade de certas áreas.

Segundo a ginecologista norte-americana Deborah Coady, em seu livroHealing Painfull Sex, o sistema nervoso pélvico varia muito de uma mulher para outra e cada uma possui diferentes terminações nervosas nas cinco zonas erógenas, como clitóris, entrada da vagina, colo do útero, ânus e períneo. Isso ajuda a explicar porque algumas mulheres têm mais sensibilidade no clitóris e outras na entrada da vagina. “Mas, de qualquer maneira precisamos lembrar que não importa como a mulher atinge o orgasmo, o importante é experimentá-lo”, diz Marina.

Masturbação é uma das chaves para chegar ao orgasmo


A pesquisa do Prosex mostrou que 40% das mulheres brasileiras não se masturbam. "Esse é um destaque muito importante na área da sexualidade humana, já que a masturbação é uma das chaves essenciais para se conhecer o próprio corpo, suas zonas de prazer e entender como conseguimos alcançar o orgasmo, dizem as especialistas. 

“O tratamento para mulheres que apresentam o Transtorno Orgásmico requer alguns passos importantes. O primeiro é buscar ajuda com um ginecologista e se certificar de que não há nenhum problema físico ou hormonal que possa estar dificultando o alcance do orgasmo. Os problemas orgânicos devem ser diagnosticados e tratados”, diz Marina.

“As causas psicológicas também são importantes. Por isso, é fundamental buscar também a ajuda de um psicoterapeuta especializado em sexualidade humana para compreender o que poderia estar afetando o alcance do orgasmo. A psicoterapia pode ajudar na diminuição da ansiedade, estresse, melhorar a autoestima, a percepção corporal com exercícios diretivos que ajudarão a mulher a ter uma qualidade sexual melhor”, diz Denise. 

“Por fim, incluir o parceiro ou a parceira no tratamento também é um passo essencial para o tratamento do Transtorno Orgásmico, pois isso amplia as possibilidades do casal conversar abertamente sobre o tema e se ajudar mutuamente na busca do prazer, deixando o corpo responder de forma natural”, finalizam as especialistas. 

Julho 3, 2017

Ginecologista aponta 5 mitos e verdades sobre

a fertilidade masculina e feminina

 

O ginecologista Dr. Joji Ueno, diretor clínico e especializado em reprodução assistida, desvenda alguns questionamentos sobre a fertilidade do homem e da mulher. São eles:

Radioterapia e quimioterapia podem gerar infertilidade?

Verdade. As células reprodutivas sofrem alterações genéticas com o uso das terapias de cura do câncer. Para evitá-las, é importante extrair e congelar os gametas.

Aborto natural pode diminuir a chances de engravidar?

Mito. A interrupção de uma gravidez, por si só, quando ocorre naturalmente, não atrapalha as novas gestações. No entanto, se estas interrupções forem recorrentes, a mulher pode sofrer alguma malformação uterina como os septos, ou ainda, alterações inflamatórias/infecciosas como a endometrite crônica, além de pólipos endometriais, miomas submucosos, disfunções imunológicas e trombofilias. Uma boa investigação com exames adequados como histeroscopia diagnóstica, ressonância magnética, ultrassonografia 3D, histerossonografia e exames de sangue podem levar ao diagnóstico correto. O tratamento do ab orto natural, pelo curetagem uterina de restos, pode levar a danos no interior do útero. Por isso, é importante procurar seu ginecologista de confiança quando ocorrer o abortamento

A obesidade atrapalha a fertilidade?

Verdade. Nas mulheres, a obesidade causa disfunções hormonais importantes que prejudicam o ciclo menstrual e a ovulação. Já nos homens, altera o metabolismo e interfere diretamente na mobilidade e na forma dos espermatozoides, que têm sua capacidade de fecundação diminuída.

Ovários policísticos podem impedir que a mulher engravide?

Mito. A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) pode causar falta de ovulação e, consequentemente, infertilidade. Mesmo assim, a mulher com SOP, que deseja engravidar, pode ser tratada de várias formas: "drilling" ovariano, relação sexual programada, inseminação artificial e FIV. Há mulheres que, mesmo com a doença, engravidam naturalmente.

O excesso de atividade física pode deixar as mulheres estéreis?

VerdadeO excesso de exercícios físicos e a adoção de uma dieta pobre em gorduras, somados à alta carga de estresse físico e emocional, podem provocar amenorreia, isto é, total ausência de menstruação. Esse conjunto de fatores alteram a produção hormonal. Além disso, como forma de defesa natural do organismo, que está carente de nutrientes para a sua própria sobrevivência, a ovulação pode s er interrompida.

 

Sobre Dr. Joji Ueno

Dr. Joji Ueno é ginecologista e obstetra, doutor em Medicina pela Universidade de São Paulo (USP) e Coordenador do Curso de Pós-graduação Lato sensu em Medicina Reprodutiva pelo Instituto de Ensino e Pesquisa em Medicina Reprodutiva de São Paulo (IEP GERA). Fundador e diretor da Clínica Gera (São Paulo -  SP, Campo Grande - MS), também é autor livro do primeiro nacional de endoscopia ginecológica voltado para ginecologista: " Cirurgia Vídeo-Endoscópia em Ginecologia". Responsável pelo Setor de Histeroscopia Ambulatorial do Hospital Sírio Libanês.

 


 

Abril 19, 2017

REJUVENESCIMENTO DO OVÁRIO A CAMINHO DE SER REALIDADE

 

  • Edição genética poderá permitir que um ovário envelhecido ovule novamente

Permitir que um ovário envelhecido seja capaz de ovular novamente poderia ser a solução para engravidar em caso de menopausa precoce ou também para reverter o envelhecimento natural deste órgão, que é acelerado a partir dos 35 anos e provoca que 10 anos mais tarde, com 45 anos, a maioria das mulheres já não consegue engravidar de forma espontânea.


Atualmente nas clínicas de reprodução humana da Europa, metade dos tratamentos para engravidar são realizados com óvulos doados. “A idade média das pacientes mundialmente é de 39 anos, algo muito parecido com a realidade na nossa clínica no Brasil”, explica Drª Genevieve Coelho, diretora da clínica IVI Salvador e parte do grupo de medicina reprodutiva com mais de 70 clínicas no mundo que realizou a pesquisa. “Muitas pacientes a partir dos 40 anos precisam de óvulos doados, ou porque já não estão ovulando apesar de menstruarem, ou porque os óvulos que possuem não estão gerando embriões”.

Um dos desafios para os especialistas em reprodução humana é encontrar óvulos de qualidade nas pacientes, principalmente a partir dos 38 anos. Segundo as novidades apresentadas recentemente no evento sobre genética e reprodução humana que aconteceu na Espanha, a técnica mais prometedora para este futuro possível é a edição genética.


Como é possível rejuvenescer o ovário?

Existem várias equipes de cientistas pesquisando como fazer com que o ovário, órgão responsável pela ovulação, reverta o processo de envelhecimento e consiga ativar os “óvulos adormecidos”, que são aqueles que permanecem no ovário, mas não se desenvolvem, mesmo com o estímulo de medicamentos.

Quando as pacientes não estão ovulando bem, segundo Drª Genevieve, é realizado um tratamento de estimulação ovariana com medicamentos hormonais para estimular o desenvolvimento dos óvulos, porém a eficácia desse tratamento vai diminuindo com o avanço da idade materna ou a consequência da menopausa precoce, que atinge cerca de 1% das mulheres.

O rejuvenescimento do ovário é um tratamento realizado com células-tronco capaz de ativar os óvulos adormecidos da reserva ovariana que está sendo pesquisado por vários cientistas atualmente. Com a ferramenta de edição genética CRISPR, foi possível ganhar velocidade nas pesquisas, mas ainda não existe uma previsão para quando esta solução estará disponível para as pacientes.


Por que é difícil engravidar após os 40?


Antes mesmo de nascer as mulheres já contam com seu estoque de óvulos para a vida inteira. Ao longo da vida fértil de uma mulher, o corpo prioriza liberar primeiro os melhores óvulos, enquanto os considerados de menor qualidade permanecem e vão envelhecendo, o que afeta ainda mais sua capacidade de gerar um bebê saudável. O resultado dessa seleção natural são menos chances de engravidar na medida em que a idade avança e mais riscos de aborto e problemas genéticos nos descendentes.


 

 

 

 

 

 

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