Março 30, 2017

DORES DE CABEÇA E DIFICULDADE PARA DORMIR? VOCÊ PODE ESTAR COM FIBROMIALGIA

*Por Dr. Sérgio Costa


A fibromialgia é um transtorno de etiologia desconhecida, caracterizado por dor generalizada, processamento anormal da dor, distúrbios do sono, fadiga e tensões.

Pessoas com fibromialgia também podem apresentar outros sintomas como:

- Rigidez matinal
- Formigamento ou dormência nas mãos e pés
- Dores de cabeça e enxaquecas
- Problemas de raciocínio e memória
- Menstruação dolorosa

Os critérios de 2010 do Colégio Americano de Reumatologia (ACR) são utilizados para o diagnóstico clínico e classificação da gravidade. Os dados considerados para a base do diagnóstico são:

- Índice de dor generalizada (WPI)> 7 e uma escala de gravidade dos sintomas (SS)> 5 ou WPI 3-6 e SS> 9.

- Se os sintomas apresentam um nível semelhante por, pelo menos, três meses.

- Se o paciente não sofre de nenhuma outra patologia que possa causar a dor.

A fibromialgia é, muitas vezes, concomitante (entre 25% e 65%) com outras condições reumáticas, como a artrite reumatóide (AR), lúpus eritematoso sistêmico (LES) e espondilite anquilosante (EA).

Predomínio
Segundo a Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor, da Associação Brasileira de Fibromiálgicos (Abrafibro), a síndrome atinge um homem para cada 20 mulheres. De acordo com a Abrafibro, cerca de 16 milhões de pessoas no Brasil sofrem com a doença.

A maioria das pessoas é diagnosticada durante a meia idade, e a incidência aumenta com a idade. Mulheres em idade ativa, que sofrem com a fibromialgia e foram hospitalizadas por doenças músculo-esqueléticas ocupacionais, têm 10 vezes menos chances de conseguir trabalho, e 4 vezes menos probabilidade de manter seu emprego, após a internação.

Os adultos que trabalham e têm fibromialgia possuem uma média de 17 dias afastados do trabalho, devido à patologia, enquanto a média dos que não sofrem de fibromialgia é de 6 dias. São registradas, em média, 5,5 milhões de visitas a ambulatórios por ano.

Impacto na qualidade de vida relacionada à saúde
- Pacientes com fibromialgia tiveram a menor pontuação em 7 das 8 subescalas (exceto no papel emocional) do questionário de saúde SF-36, em relação a pacientes com outras patologias crônicas.

- A percepção de "qualidade de vida" para os pacientes com fibromialgia obteve uma pontuação média de 4,8 (numa escala de 1 a 10).

- Os instrumentos padrão utilizados para a avaliação de qualidade de vida relacionada à saúde talvez não sejam sensíveis o suficiente para captar todos os aspectos de pessoas com fibromialgia.

- Adultos com fibromialgia têm uma propensão 3,4 vezes maior de ter depressão, se comparados aos adultos que não sofrem de fibromialgia.

Vale lembrar que sentir dor o tempo todo não é normal. Portanto, se você se identificou com os sintomas citados, não hesite em procurar um médico.

*Ortopedista com Especialização em Cirurgia de Joelho, Artroscopia e Próteses pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP); Pós-Graduado pela Faculdade de Medicina da USP em Ortopedia e Traumatologia; Mestre pela USP; e Coordenador da Equipe Médica do Hospital São Luiz, unidade Itaim


 


 

 

 

 

 

Janeiro 14, 2017

JANEIRO, MÊS DE FÉRIAS... E DE CUIDADO REDOBRADO COM SEUS FILHOS

Por Dr. Sérgio Costa, Ortopedista com Especialização em Cirurgia de Joelho, Artroscopia e Próteses pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP); Pós-Graduado pela Faculdade de Medicina da USP em Ortopedia e Traumatologia; Mestre pela USP; e Coordenador da Equipe Médica do Hospital São Luiz, unidade Itaim



Janeiro é o mês de curtição para a criançada: férias, calor, viagens, parques, entre outras opções. No entanto, este é justamente o período em que os pais devem ter atenção redobrada, já que muitas atividades podem resultar em lesões graves. Às vezes, por uma questão de segundos de desvio de olhar, acontece um acidente.


Se a criança caiu de bicicleta, por exemplo, e ficou semi-inconsciente, chame imediatamente o resgate. Verifique as vias aéreas (boca e nariz) e confirme se ela está respirando. Evite mexer na criança e, caso perceba sinal de fratura, não tente colocar os ossos no lugar. Isso pode agravar seu quadro. Garanta que a criança respire, mantendo livre acesso das vias aéreas. Para isso, mantenha a calma, evite tumulto ao seu redor e tente conversar com a criança até o resgate chegar, para que ela não entre em estado de inconsciência.


Se o caso não for muito grave, apenas limpe as feridas com água corrente e algum antisséptico. Pode ser usado também água corrente e sabonete. Compressa com gelo no local atingido diminui o hematoma e alivia a dor. Muitas pessoas acreditam que certos produtos podem ajudar, como sal, pasta de dente ou pomadas. Isso é lenda. Não utilize em hipótese alguma. Se a batida foi na cabeça, mesmo que tenha sido leve, é importante leva-la ao Pronto-Socorro para fazer exames de imagem e se certificar que não houve nenhuma lesão interna.


Se, no hospital, o diagnóstico for de fratura, o tratamento será a imobilização com gesso e repouso. Mas, em casos mais graves, como fraturas expostas ou que possam comprometer algum órgão, haverá necessidade de cirurgia para alinhar o osso e, posteriormente, realizar a imobilização. As fraturas mais comuns são na mão, no braço, no cotovelo e no antebraço. Isso porque, por uma questão de reflexo, os membros superiores são a nossa defesa. Quando caímos, a primeira reação é nos proteger com as mãos e/ou os braços para amenizar a queda. A Ortopedia encara a fratura de cada osso de maneira isolada, e tem uma classificação diferente para cada um deles. Geralmente, as fraturas articulares (perto da articulação) e aquelas com desvios grandes são consideradas cirúrgicas.  


O fato é que crianças se machucam mais do que os adultos, pois elas têm mais ousadia, menos medo e, dependendo da idade, uma coordenação motora em desenvolvimento. Daí a importância do monitoramento constante dos pais ou responsáveis. Vale frisar que o adulto deve informar à criança sobre os riscos de cada atividade que fizer, além de exigir dela o uso de acessórios de segurança quando fizer uso da bicicleta ou do skate, por exemplo, como capacete, luvas, cotoveleiras, joelheiras e tornozeleiras. É bem provável que a criança relute em usar os acessórios. Por isso, coloque também seus itens de segurança, pegue sua bicicleta e diga que vai passear com ela. Filhos adoram imitar os pais, e este será um excelente exemplo a ser dado!

setembro 22, 2016, São Paulo

Atleta com osteogênese imperfeita quebra recorde paraolímpico de natação e ganha 3 medalhas de ouro

 

Doença conhecida também como ossos de vidro ou ossos de cristal é causada por deficiência na produção do colágeno e leva a fragilidade óssea, mas tem tratamento

McKenzie Coan, uma nadadora americana de 20 anos com osteogênese imperfeita, arrematou 3 medalhas de ouro e uma de prata nas paraolimpíadas e quebrou o recorde paraolímpico de natação na prova de 50 metros livres S7. Ela também levou o ouro nas provas de 100 e 400 metros livres. A natação é uma das formas de manter a força dos músculos em portadores da patologia, uma doença genética e hereditária que apresenta a fragilidade óssea como principal manifestação clínica. Apesar de rara, a doença se tornou mais conhecida com a criação da associação Brasileira de Osteogênese Imperfeita (ABOI) em 1999 que buscou tratamentos e divulgou mais a doença. O sucesso do filme Corpo Fechado, com Bruce Willis e Samuel Jackson, que interpretava um personagem com a doença, veio contribuir bastante para o conhecimento da doença.

Osteogênese Imperfeita (OI)

Ao longo da vida, pessoas com OI, devido `a sua fragilidade óssea, podem acumular dezenas e até centenas de fraturas causadas por traumas simples que se iniciam antes mesmo do nascimento, no útero e/ou durante as contrações do parto. 

A doença se manifesta devido a uma deficiência na produção de colágeno, responsável por toda a arquitetura das estruturas primárias do corpo humano. A ocorrência de sucessivas fraturas, muitas vezes espontâneas, pode gerar sequelas irreversíveis nos pacientes, como o encurvamento dos ossos, principalmente de braços e pernas. Outras características são o rosto em formato triangular, a esclerótica (parte branca dos olhos) azulada, dentes frágeis, desvios de coluna e baixa estatura. Alguns pacientes podem desenvolver problemas dentários e surdez e, devido à fragilidade e deformação dos ossos, muitos deles não conseguem andar.

A osteogênese imperfeita ainda é pouco conhecida, inclusive pelos profissionais de saúde. O diagnóstico é feito a partir de critérios clínicos e exames complementares, especialmente o estudo radiológico e da densitometria do esqueleto e os marcadores do metabolismo ósseo e do colágeno. Hoje no Brasil temos Centros de Referência no tratamento da OI (CROI) em 13 hospitais 

Incidência no Brasil

Estimar o número de portadores no Brasil é difícil, pois ainda não existem estudos epidemiológicos realizados para este fim. Mas, de acordo com dados estimados pela ABOI existem de 12 a 25 mil indivíduos convivendo com a doença em nosso país. Acredita-se que uma prevalência de 1 por 10 a 20 mil nascimentos seja uma estimativa aproximada.

A osteogênese imperfeita apresenta graus distintos de gravidade, podendo ocorrer na forma gravíssima, que causa a morte do bebê ainda no útero materno, até formas leves, que se manifestam tardiamente, com uma pequena diminuição da resistência óssea. 

Classificação 

Tipo I - forma leve e não deformante, com poucas fraturas na infância.
Tipo II - é a forma mais grave de todas; em geral, os afetados morrem ainda dentro do útero ou logo depois do nascimento;
Tipo III - deformidades graves como consequência das fraturas espontâneas e do encurvamento dos ossos; dificilmente o paciente consegue andar; 
Tipo IV - deformidades moderadas na coluna, curvatura nos ossos longos, especialmente nos das pernas, baixa estatura.

Tratamento

Ainda não existe a cura para a osteogênese imperfeita. O tratamento é baseado em medicação, cirurgia ortopédica e fisioterapia, visando à melhor qualidade de vida e envolve equipe multidisciplinar, uma vez que os pacientes requerem atendimento clínico, cirúrgico e de reabilitação fisioterápica.

O pamidronato dissódico e o alendronato (biofosfanatos) são medicamentos que têm mostrado bons resultados para inibir a reabsorção óssea, reduzir o número de fraturas e aliviar a dor.

Outro recurso terapêutico é a cirurgia para colocação de hastes metálicas no interior do osso. Elas acompanham o crescimento dos ossos e devem ser implantadas durante a infância, conforme o desenvolvimento e a estrutura óssea da criança. Estas hastes, conhecidas como hastes telescópicas Fassier Duval, são próprias para a correção das deformidades e para a redução de fraturas, e mantém o alinhamento do membro mesmo com o crescimento deste, o que não ocorre com os métodos tradicionais que são disponíveis na maioria dos serviços de saúde do Brasil, o que gera muitas reoperações, onerando assim todo o sistema de saúde.

Segundo Tulio Canella, médico ortopedista pediátrico especialista no tratamento de osteogênese imperfeita, "o tratamento coberto hoje pelo SUS requer, muitas vezes, a realização de vários procedimentos cirúrgicos em um mesmo paciente, já que a haste utilizada não acompanha seu crescimento. Isso traz mais risco anestésico e cirúrgico para o paciente além de onerar o hospital com vários procedimentos. As hastes telescopadas acompanham o crescimento do paciente (funcionando como uma antena de rádio) e tem um custo maior. No entanto, como o que é coberto requer várias cirurgias, o valor do procedimento coberto pelo SUS, no final, pode sair bem mais alto".

A nadadora americana McKenzie Coan já teve 30 fraturas, fez uso do pamidronato até a idade de 11 anos, e fez cirurgia para colocação das hastes nas pernas. Fatima Benincaza, ex-presidente da ABOI, atualmente do núcleo do Rio de Janeiro da instituição, esteve com Coan durante sua vitória nas paraolimpíadas. Para ela, que também tem um filho com OI que pratica natação, a vitória de Coan é um exemplo de superação. 

Para assisitir a prova em que MacKenzie Coan quebra o recorde paraolímpico na prova dos 50 metros livres siga o link: https://www.youtube.com/watch?v=KuXkSheTIfU.