Contato - Cadastrar para receber o Jornal de Saúde

Março 23, 2017

Proteína do leite materno reduz infecções hospitalares em prematuros


A maioria das doenças que afetam os recém-nascidos são infecções adquiridas no hospital, como meningite, pneumonia e infecções do trato urinário.

Respondendo a uma convocação da Academia Americana de Pediatria, (AAP), para reduzir infecções hospitalares em unidades de cuidados intensivos neonatais, (UTINs), em todo o país, pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Missouri encontraram uma proteína no leite materno que pode ser uma solução segura e eficiente.

“A maioria das doenças que afetam os recém-nascidos são infecções adquiridas no hospital, como meningite, pneumonia e infecções do trato urinário. Os pesquisadores não só descobriram que a lactoferrina, uma proteína encontrada no leite materno, pode reduzir as infecções hospitalares entre os prematuros, mas também mediram a segurança alimentar da proteína para os recém-nascidos”, afirma o pediatra Moises Chencinski, presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

Os estudiosos conduziram um ensaio de controle randomizado com bebês prematuros. Sessenta dos lactentes foram alimentados com lactoferrina através de um tubo de alimentação, duas vezes por dia, durante 28 dias, enquanto 60 lactentes adicionais receberam placebo. Os pesquisadores descobriram que a taxa de infecções hospitalares foi 50% menor entre os lactentes alimentados com lactoferrina.

Além disso, os pesquisadores usaram o MedDRA, um sistema que relata os resultados de segurança para a Food and Drug Administration, dos EUA, para avaliar a lactoferrina durante e após os lactentes receberam a proteína. Os bebês foram examinados quanto aos efeitos adversos da proteína seis e doze meses após o final do ensaio. Todos os efeitos adversos identificados foram associados com complicações do parto prematuro e não da ingestão da lactoferrina.

“Enquanto um grande ensaio clínico é necessário, antes de a lactoferrina tornar-se um protocolo de tratamento padrão nas UTINs, os resultados deste estudo mostram a segurança da lactoferrina e fornecem um relatório inicial de eficiência na redução de infecções hospitalares”, afirma o pediatra.


 


Codeína é muito arriscada para crianças, dizem especialistas, pedindo restrições de uso



A codeína é prescrita a pacientes pediátricos há muitas décadas como um analgésico e um medicamento para alívio contra a tosse


A Academia Americana de Pediatria, AAP, está exortando pais e profissionais de saúde a pararem de dar codeína para as crianças, destacando que é preciso mais conscientização sobre os riscos e as restrições da droga em pacientes com idade inferior a 18 anos. Um relatório clínico, publicado no Pediatrics, “Codeína: hora de para dizer 'Não'”, destaca o uso continuado da droga em ambientes pediátricos, apesar das evidências crescentes que ligam o analgésico a reações respiratórias fatais ou mortais.

A codeína é uma droga opiácea, que por décadas foi usada em medicamentos para dor e em fórmulas contra a tosse, vendidos sem receita médica. O problema é que a codeína é convertida pelo fígado em morfina. Devido à variabilidade genética na rapidez com que o corpo de um indivíduo processa a droga, o medicamento fornece alívio inadequado para alguns pacientes, ao mesmo tempo em que tem um efeito muito forte sobre outros. “Certos indivíduos, especialmente crianças e aqueles com apneia obstrutiva do sono, são ‘metabolizadores ultra-rápidos’ da droga e podem apresentar taxas de respiração severamente retardadas ou até mesmo morrer após tomar doses padrão de codeína”, afirma o pediatra e homeopata Moises Chencinski (CRM-SP 36.349).

Apesar destes riscos bem documentados e com as preocupações expressas por diversas entidades médicas e de saúde, incluindo a AAP, a Food and Drug Administration, dos EUA, e a Organização Mundial de Saúde, a droga ainda está disponível, sem receita médica, em fórmulas de medicamentos para tosse em 28 estados americanos. Além disso, de acordo com o relatório AAP, a droga ainda é comumente prescrita para crianças após procedimentos cirúrgicos, como a remoção de amígdala e de adenoide. Mais de 800.000 pacientes, com menos de 11 anos, receberam prescrição de codeína entre 2007 e 2011, de acordo com um estudo citado no relatório da AAP. Os otorrinolaringologistas são os prescritores mais frequentes de formulações líquidas de codeína / acetaminofen (19,6%), seguidos por dentistas (13,3%), pediatras (12,7%) e médicos de clínica geral / família (10,1%).

“O novo relatório clínico descreve alternativas potenciais para fornecer alívio da dor em crianças, mas reconhece que poucos medicamentos seguros e eficazes estão disponíveis para uso pediátrico. O manejo efetivo da dor em crianças continua desafiador porque seus corpos processam as drogas de forma diferente do que os adultos”, destaca o pediatra, que é membro do Departamento de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da Sociedade de Pediatria de São Paulo.


O relatório da AAP sugere que é preciso uma melhor educação dos pais e dos profissionais de saúde sobre os riscos do uso de codeína, além de restrições formais de seu uso em crianças. Isso sem contar com pesquisas adicionais sobre o tratamento seguro e efetivo da dor em crianças.

 

 

 

 

 

.

 

/body>