Como surgiu a veterinária e o que ela oferece hoje para a humanidade e animais

Praticamente desde que se domesticaram os animais existem pessoas ocupadas em tratar das doenças que os afetam. Já em 200 a.C. a veterinária se firmara como especialidade na Babilônia e no Egito, e uma das primeiras referências conhecidas sobre a atividade se encontra no código de Hamurabi, que claramente e refere a médicos de animais, prevendo sanções para os que não forem corretos no exercício da profissão. Os gregos tinham uma classe de médicos especializados em cavalos, e Hipócrates descreveu doenças articulares em bovinos, epilepsia em carneiros e cabras, além de outros males. Também em Roma houve abundante literatura veterinária.
No começo da Idade Média o tratamento das doenças dos animais era feito por ferreiros, pastores e magarefes, mas, a partir do princípio do século XIII, trabalhavam como veterinários – especialmente em cirurgias – os encarregados das cavalariças e dos estábulos. O mais famoso foi Jordanus Ruffus, no século XIII. No século XVI havia grandes clínicas veterinárias na China, onde também se publicaram tratados sobre doenças animais, embora por essa época persas e árabes já estivessem bem mais avançados no que tange especificamente ao conhecimento da medicina de cavalos. A afirmação da cavalaria como arma fundamental dos exércitos europeus e o interesse econômico por trás das epidemias nos rebanhos (epizootias), causas de grandes prejuízos econômicos, foram as principais razões do avanço da veterinária a partir do final do século XVI, quando se publicou Anatomia do Cavalo (1598), do italiano Carlo Ruini.


Malgrado os progressos eventuais, a situação da medicina animal era ainda muito precária em 1762, quando surgiu, em Lyon (França), a primeira escola de veterinária, mais concentrada nos cavalos. Fundada por Claude Bourgelat, inspirou a criação de outras em diversos países, dentre as quais logo se destacou a escola de Alfort, perto de Paris, também de Bourgelat. Na Prússia, Frederico o Grande mandou criar uma escola de nível superior ao das francesas, que iniciou suas atividades em 1786.
O século XIX foi de esplendor para a veterinária, cujos profissionais, na França, estiveram associados de perto aos progressos da incipiente ciência da microbiologia. Na classe veterinária, mais do que na médica, Louis Pasteur encontrou apoio para suas experiências e teorias renovadoras. Foi, aliás, com doenças animais que Pasteur realizou algumas de suas mais famosas descobertas, que levaram à idéia de vacinação pela atenuação dos germes causadores das doenças. O descobrimento, pelos microbiologistas, das causas das infecções e dos mecanismos de contágio, bem como dos procedimentos de esterilização e cultura bacteriana, teve profunda repercussão no tratamento dos animais domésticos.


Ao longo do século XX, avanços em áreas básicas como bioquímica, citologia, farmacologia e genética propiciaram maior rigor na pesquisa e na prática veterinária e maior aproveitamento na prevenção e controle das epizootias, o que resultou em benefícios econômicos para os criadores de gado, possibilitando-lhes rendimentos sem precedentes. Cabe citar a importância de veterinários como o francês Gaston Ramon, descobridor das anatoxinas (toxinas tratadas, em geral com formaldeído, de modo a destruir sua propriedade tóxica, mas preservando sua capacidade de estimular a produção de anticorpos); o americano Daniel Elmer Salmon, primeiro observador da Salmonella (gênero de bactérias patogênicas para o homem e outros animais); e o sueco Bernhard Bang, descobridor do agente do aborto bovino e da brucelose em seres humanos.

NE. fonte: http://veterinariosdesinop.blogspot.com.br/