SAUDE PUBLICA

Fevereiro 6, 2017


Mosquitos podem ser usados para disseminar larvicida, aponta estudo realizado no Amazonas

 

Não é o mesmo mosquito criado e alterado é nova experiência com os mosquitos mesmo sem alteração  

Os próprios mosquitos transmissores dos vírus zika, dengue, chikungunya ou febre amarela podem atuar no controle de surtos epidêmicos dessas doenças, aponta um estudo de pesquisadores da Fiocruz Amazônia.  Os ensaios foram realizados em Manacapuru (AM), durante dois anos -  de fevereiro de 2014 a janeiro de 2016. O resultado foi surpreendente, pois em 15 dias ficaram evidentes as mudanças na população de mosquitos de toda a cidade.


No estudo, os pesquisadores Fernando Abad-Franch, Elvira Zamora-Perea e Sérgio Luiz Bessa Luz, do Instituto Leônidas & Maria Deane/Fiocruz Amazônia, verificaram a capacidade de utilização dos próprios mosquitos para disseminar o larvicida Pyriproxyfen em criadouros aquáticos, por meio de uma espécie de armadilha, chamada de estação disseminadora de larvicida. A conclusão foi de que, mesmo sob cenários adversos, a estratégia pode tornar-se uma importante ferramenta para melhorar a saúde pública global, sinalizando novos caminhos na prevenção de doenças transmitidas por mosquitos. O estudo foi publicado recentemente na PLOS Medicine, intitulado Mosquito-Disseminated Insecticide for Citywide Vector Control and Its Potential to Block Arbovirus Epidemics: Entomological Observations and Modeling Results from Amazonian Brazil.


Metodologia

Para a pesquisa foram selecionadas 100 habitações em Manacapuru, distribuídas uniformemente pela cidade, para a vigilância de mosquitos, como criadouros sentinela, monitorando as populações locais de mosquitos, por um ano. Depois, foram distribuídas por toda a cidade mil estações disseminadoras de larvicida – recipientes com as paredes cobertas por um pano preto, tratado com pó de Pyriproxyfen. As estações disseminadoras continham um pouco de água para atrair as fêmeas dos mosquitos.


As mudanças na população de mosquitos foram percebidas 15 dias após a distribuição das estações disseminadoras. O número de larvas de Aedes nos criadouros sentinela caiu em 80-90%, e a mortalidade das larvas aumentou para 80-90% durante a disseminação de Pyriproxyfen. O número de mosquitos adultos emergindo dos criadouros despencou em mais de 95% na cidade inteira, de forma que a emergência de fêmeas de Aedes caiu de 500-600 por mês antes da intervenção, para um mínimo de uma única fêmea no sexto mês de disseminação.

Por fim, os pesquisadores usaram modelos matemáticos para investigar o impacto potencial desta drástica redução da emergência de fêmeas de Aedes na cidade. O número de fêmeas de Aedes na localidade simplesmente não seria suficiente para manter a transmissão do vírus, e o surto desapareceria rapidamente, sem alcançar dimensões de epidemia.

Política pública

Os autores do trabalho destacam que novos testes devem ser feitos, incluindo cidades maiores e cenários ecológicos e socioeconômicos diversos. É também essencial medir diretamente o impacto da intervenção na transmissão de doenças, para comprovar se as predições dos modelos matemáticos se ajustam à realidade.

Portanto, novos ensaios ocorrerão ainda em 2017, com pesquisadores da Fiocruz trabalhando em parceria e com financiamento do Ministério da Saúde - por meio do Departamento de Ciência e Tecnologia, e do Programa Nacional de Controle da Dengue (Decit & PNCD) -, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Organização Pan-Americana da Saúde-Organização Mundial da Saúde (Opas-OMS) e com apoio de secretarias municipais e estaduais de Saúde, em diferentes regiões do Brasil.


Com isso, as estações de disseminação de larvicida serão usadas em seis cidades da Amazônia: Boa Vista (RR), Tabatinga (AM), Tefé (AM), Parintins (AM), São Gabriel da Cachoeira (AM) e Borba (AM). Da mesma forma, cinco capitais e um munícipio de São Paulo também receberão as Estações Disseminadoras: Natal, Fortaleza, Recife, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Marília. Se estes ensaios em larga escala confirmarem os resultados obtidos até agora, a estratégia (simples e de baixa complexidade tecnológica) do “autocontrole” dos mosquitos, por meio do Pyriproxyfen, poderá se transformar numa ferramenta crucial para a melhora da saúde pública global.

Para o pesquisador Sérgio Luz, o resultado da pesquisa foi animador, mas a oportunidade de transformar o conhecimento obtido com o estudo em política pública, é o principal ganho do trabalho. “Estamos muito contentes com todas essas conquistas, principalmente por termos desenhado, desenvolvido e executado essa pesquisa por meio da Fiocruz Amazônia”, comenta.

Dezembro 21, 2016

Fiocruz obtém registro para primeiro teste no país que detecta infecção por zika, dengue e chikungunya

 

Resultado é obtido no mesmo dia. Produto faz diagnóstico molecular com detecção e diferenciação da infecção. Inovação é resultado do trabalho integrado de Bio-Manguinhos com o Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e o Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP), sob coordenação do Ministério da Saúde

 

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por meio do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos da Fiocruz (Bio-Manguinhos/Fiocruz), obteve registro do Kit ZDC, o primeiro do país com chancela da ANVISA que permite realizar o diagnóstico simultâneo de zika, dengue e chikungunya. O novo conjunto de testes auxiliará as ações de enfrentamento da situação de emergência sanitária causada por essas três doenças.

A aprovação da ANVISA para o registro do Kit foi publicada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira, 19 de dezembro. Versátil, o kit pode ser usado para o diagnóstico laboratorial dos três vírus, para dois ou para cada um separadamente. O teste permite o diagnóstico na fase aguda da doença, quando os sintomas clínicos das três infecções se manifestam e necessitam de um diagnóstico laboratorial preciso e discriminatório.  O diagnóstico precoce pode auxiliar na conduta clinica dos pacientes e na indução de providências adicionais relacionadas à vigilância epidemiológica e prevenção de novos casos.

Os primeiros lotes para atendimento ao SUS já estão sendo produzidos. As entregas se darão conforme a demanda do Ministério da Saúde. A produção e nacionalização dos kits poderá representar uma economia aos cofres públicos, além do aumento da qualidade e confiabilidade do diagnóstico.

 “Temos satisfação em entregar esta inovação à sociedade brasileira. Estamos mobilizados para responder à grave situação do vírus zika e da microcefalia, e esta é parte importante dos nossos esforços”, disse o presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, acrescentando que a ação é resultado do esforço do Gabinete Para o Enfrentamento à Emergência Epidemiológica em Saúde Pública da Fiocruz.

 


 

 

 

Estudo da Fiocruz aponta anormalidade em 46% das gestantes infectadas pelo vírus zika


 

Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade da Califórnia (UCLA) descobriram que as anormalidades provocadas pelo vírus zika em bebês antes do nascimento são mais variadas e frequentes do que se acreditava. A maior pesquisa de coorte já realizada sobre zika registrou anormalidades em 46% das 125 gestações analisadas. Destas, 97 foram acompanhadas no Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz). O estudo sugere que os danos fetais provocados pelo vírus zika podem ocorrer ao longo de toda a gravidez e são muito mais variados do que apenas a microcefalia. Além disso, algumas anomalias só podem ser detectadas apenas semanas ou meses após o bebê ter nascido, segundo a chefe do Laboratório de Pesquisa Clínica em Doenças Febris Agudas do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz) e uma das autoras do estudo, Patrícia Brasil.


“Um bebê aparentemente normal pode apresentar algum tipo de anormalidade não detectada em exames usuais de rotina. É muito importante saber isso, porque, quanto mais precoce for o diagnóstico, mais oportunas e efetivas poderão ser as medidas de intervenção que assegurem o melhor desenvolvimento dessas crianças”, afirmou a pesquisadora, destacando que a concepção e a execução do estudo são frutos de colaboração estruturada e fortalecida entre os institutos da Fiocruz, com financiamento principal do Ministério da Saude do Brasil.


O novo estudo, publicado no New England Journal of Medicine http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa1602412?query=featured_home, foi baseado em uma amostra maior de 345 mulheres do Rio de Janeiro, que foram inscritas de setembro de 2015 a maio de 2016. Destas mulheres, 182 (53%) tiveram resultado positivo no teste para zika no sangue, na urina ou em ambos. Além disso, foi descoberto que 42% das mulheres que não tiveram zika estavam infectadas com chikungunya e que 3% das mulheres com zika também foram infectadas por chikungunya.


Desta amostra inicial, os pesquisadores avaliaram 125 mulheres infectadas por zika e 61 não infectadas com o vírus que haviam dado à luz até julho de 2016. O estudo anterior foi baseado principalmente em descobertas pré-natais por meio de ultrassom; em contraste, a nova pesquisa avaliou bebês nascidos de gestações afetadas por zika usando exames físicos e ressonâncias cerebrais. Outra novidade diz respeito a possibilidade de diagnóstico da zika através do líquido amniótico.


Para o coautor do estudo e gerente da Área de Atenção Clínico-cirúrgica à Gestante do IFF, José Paulo Pereira Júnior, a nova pesquisa apontou que a microcefalia é apenas uma parte do espectro do que atualmente é chamado de Síndrome da Zika Congênita. “Com o aumento da amostra, identificamos que outras alterações, tão importantes quanto a microcefalia, estão sendo observadas em uma parcela considerável das gestantes expostas ao vírus”. Ele destaca ainda a importância do estabelecimento de um protocolo específico para acompanhamento dessas pacientes durante o pré-natal e também no momento do parto. “O parto normal pode e deve ser indicado em casos de diagnóstico de microcefalia, em que o bebê esteja hemodinamicamente estável,” explica o obstetra.


Já a responsável pela pesquisa clínica do Instituto, Maria Elisabeth Moreira, que também participou da pesquisa, reforça para a importância de estimular os bebês nos primeiros meses de vida. “É importante destacar que valorizamos também alterações neurológicas menores. Não podemos perder a janela de oportunidade de encaminhar essas mães para a estimulação precoce, que pode fazer toda a diferença para o desenvolvimento dos bebês. Nessa época, o cérebro ainda está crescendo, e as crianças respondem muito bem à estimulação, substituindo células doentes por células normais”, disse Moreira.  


A pesquisa dá continuidade a um estudo https://agencia.fiocruz.br/estudo-analisa-infeccao-por-virus-zika-em-gravidas-do-rio desenvolvido pela Fiocruz em março, que usou testes moleculares para encontrar uma associação entre a infecção por zika em mulheres grávidas e uma série de problemas incluindo morte fetal, crescimento fetal anormal e danos ao sistema nervoso central. Este é o maior estudo até aqui a acompanhar mulheres desde o momento da infecção até o fim da gravidez. Todas as mulheres foram inscritas antes de serem identificadas anormalidades em suas gestações.


Uma equipe multidisciplinar esteve a frente do acompanhamento dos bebês durante sua primeira infância, quando “manifestações neurológicas mais sutis não são identificáveis”. Exames posteriores, portanto, podem vir a descobrir outros problemas neurológicos não detectáveis no começo da vida dos bebês. “Nossos dados mostram que os riscos de complicações severas no desenvolvimento fetal após a infecção por zika são substanciais”, ressaltam os autores no artigo.


A professora de pediatria clínica da Divisão de Doenças Pediátricas Infecciosas da Escola de Medicina da UCLA e também autora do estudo, Karim Nielsen, definiu os resultados do estudo como “graves”. “Descobrimos que a microcefalia não é a alteração congênita mais comum do vírus zika e que a ausência desta condição não significa que você teve um bebê normal”, disse Nielsen. “Há muitos problemas que não são aparentes no nascimento. Os recém-nascidos podem parecer normais, mas não o serem aos seis meses, e há toda uma vasta gama de problemas”.


Na Fiocruz, o estudo foi enquadrado como prioritário pelo gabinete de enfrentamento à Emergência Sanitária, criado em dezembro de 2015 em função da crise da zika. Por isso também, foi indicado para encomenda de financiamento CAPES pelo coordenador do gabinete e vice-presidente de Pesquisa e Laboratórios de Referência da Fiocruz, Rodrigo Stabeli. “O gabinete julgou essencial o entendimento do progresso das infecções congênitas pelo vírus zika e por isso incentivou o desenho experimental apresentado pelo estudo via encomenda Capes. Estamos ainda mobilizados institucionalmente para gerar respostas e soluções frente a este grave problema de saúde pública mundial”, ressaltou.


A pesquisa é financiada pelo Departamento de Ciência e Tecnologia do Ministério de Saúde do Brasil, pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e pelo Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos (Niaid/NIH).


Destaques da pesquisa:

• Ocorreram nove mortes fetais em mulheres com zika durante a gravidez. Dentre essas, cinco foram no primeiro trimestre de gestação;

• Mortes fetais ou anormalidades em bebês foram verificadas em 46% dos casos de gestações de mães que testaram positivo para zika, em contraste com 11,5% das mulheres que testaram negativo para zika;

• 42% dos bebês que nasceram de mães infectadas por zika sofria de microcefalia, lesões cerebrais, calcificações cerebrais, lesões na retina, surdez, dificuldades para se alimentar, entre outras complicações;

Os problemas foram verificados em todas as etapas da gravidez: 55% das mulheres infectadas no primeiro trimestre foram afetadas, 51% no segundo e 29% no terceiro.

 

Dezembro 6, 2016

 

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Instituto Butantan realiza testes da 1ª vacina brasileira da dengue em Minas Gerais

 

1,2 mil voluntários participam dos ensaios clínicos em Belo Horizonte; o Estado é o segundo na região Sudeste a conduzir os estudos

 

O Instituto Butantan, unidade da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e um dos maiores centros de pesquisa biomédica do mundo, promove nesta terça-feira, 6 de dezembro, o lançamento oficial dos testes clínicos em humanos da primeira vacina brasileira da dengue em Belo Horizonte (MG). 

Cerca de 1,2 mil pessoas de 2 a 59 anos devem participar do estudo no centro, que integra a terceira e última etapa de testes antes de a vacina ser submetida à aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para que possa ser produzida em larga escala pelo Butantan e disponibilizada para campanhas de imunização em massa na rede pública de saúde em todo o Brasil.

Os ensaios clínicos serão conduzidos pela Universidade Federal de Minas Gerais, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, sob a responsabilidade do médico pesquisador Mauro Martins Teixeira. “Existe uma necessidade absoluta de termos uma vacina eficaz contra a dengue. Assim, vemos que nossa participação neste estudo contribui para o esforço brasileiro, capitaneado pelo Butantan, no desenvolvimento de uma nova vacina contra a dengue. Por outro lado, estamos construindo toda uma infra-estrutura de pesquisa clínica e teste de vacinas que deixarão um legado importante a nossa cidade e estado, detalha o pesquisador"

Os testes já estão em andamento em Manaus (AM), Boa Vista (RR), Porto Velho (RO), em três centros no Estado de São Paulo (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto e Santa Casa de Misericórdia de São Paulo), em Fortaleza (CE), Aracaju (SE) e Pernambuco na região Nordeste, além de Porto Alegre (RS), Campo Grande (MS) e Cuiabá (MT).

Os testes envolverão 17 mil voluntários em 13 cidades nas cinco regiões do Brasil. Podem participar do estudo pessoas saudáveis, que já tiveram ou não dengue em algum momento da vida e que se enquadrem em três faixas etárias: 2 a 6 anos, 7 a 17 anos e 18 a 59 anos. 

Os participantes do estudo são acompanhados pela equipe médica por um período de cinco anos para verificar a eficácia da proteção oferecida pela vacina. Os testes clínicos acontecerão no Centro de Saúde Jardim Montanhês. Os voluntários do estudo em Belo Horizonte estão sendo recrutados na região atendida pelo CS Jardim Montanhês. 

Os voluntários que tiverem interesse em participar dos testes e que morem nesta região podem entrar em contato com a equipe do projeto de pesquisa no telefone (31) 2520 4008 ou comparecer ao CS Jardim Montanhês para obter mais informações sobre o estudo. A equipe ressalta que somente os voluntários que moram na área de abrangência serão recrutados. 

A vacina do Butantan, desenvolvida em parceria com os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH, na sigla em inglês), é produzida com vírus vivos, mas geneticamente atenuados, isto é, enfraquecidos.

“Com os vírus vivos, a resposta imunológica tende a ser mais forte, mas, como estão enfraquecidos, eles não têm potencial para provocar a doença. A vacina deve proteger contra os quatro sorotipos da dengue com uma única dose”, explica o diretor do Instituto Butantan, Jorge Kalil.

Nesta última etapa da pesquisa, os estudos visam comprovar a eficácia da vacina. Do total de voluntários, 2/3 receberão a vacina e 1/3 receberá placebo, uma substância com as mesmas características da vacina, mas sem os vírus, ou seja, sem efeito. Nem a equipe médica nem o participante saberão quais voluntários receberam a vacina e quais receberam o placebo. O objetivo é descobrir, mais à frente, a partir de exames coletados dos voluntários, se quem tomou a vacina ficou protegido e quem tomou o placebo contraiu a doença.

Os dados disponíveis até agora das duas primeiras fases indicam que a vacina é segura, que induz o organismo a produzir anticorpos de maneira equilibrada contra os quatro vírus da dengue e que é potencialmente eficaz.

“A dengue é uma doença endêmica no Brasil e em mais de 100 países. A vacina brasileira produzida pelo Butantan, um centro estadual de excelência reconhecido internacionalmente, será certamente uma importante arma de prevenção, protegendo nossa população contra a doença e suas complicações”, afirma o secretário de Estado da Saúde de São Paulo, David Uip.

 

Histórico

Em 2008, o Instituto Butantan firmou parceria de colaboração com o NIH, passando a desenvolver, no Brasil, uma vacina similar a uma das estudadas pelo instituto americano, composta pelos quatro tipos de vírus da dengue.

Um dos grandes avanços do Butantan no desenvolvimento da vacina foi a formulação liofilizada (em pó), que garante a estabilidade necessária para manter os vírus vivos em temperaturas não tão frias, permitindo seu armazenamento em sistemas de refrigeração comum, como geladeiras, além de aumentar o período de validade da vacina (um ano).

Nas etapas anteriores, a vacina foi testada em 900 pessoas: 600 na primeira fase de testes clínicos, realizada nos Estados Unidos pelo NIH, e 300 na segunda etapa, realizada na cidade de São Paulo em parceria com a Faculdade de Medicina da USP (através do Hospital das Clínicas e do Instituto da Criança) e com o Instituto Adolfo Lutz.

Ter a vacina desenvolvida e produzida por um produtor público nacional é uma vantagem competitiva para o Brasil, pois garante a disponibilidade do produto, permitindo a autossuficiência produtiva, além de garantir preços mais acessíveis.

 

Confira abaixo as cidades contempladas pelo estudo e os centros de pesquisa que convidarão e acompanharão os voluntários da vacina da dengue do Butantan:

 

REGIÃO NORTE

CIDADE

CENTRO DE PESQUISA

Manaus (AM)

Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado

Porto Velho (RO)

Centro de Pesquisas em Medicina Tropical de Rondônia

Boa Vista (RR)

Universidade Federal de Roraima

 

REGIÃO NORDESTE

CIDADE

CENTRO DE PESQUISA

Aracaju (SE)

Universidade Federal de Sergipe

Recife (PE)

Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães – Fiocruz Pernambuco

Fortaleza (CE)

Universidade Federal do Ceará

 

REGIÃO CENTRO-OESTE

CIDADE

CENTRO DE PESQUISA

Brasília (DF)

Universidade de Brasília

Cuiabá (MT)

Universidade Federal do Mato Grosso

Campo Grande (MS)

Universidade Federal do Mato Grosso do Sul

 

REGIÃO SUDESTE

CIDADE

CENTRO DE PESQUISA

São Paulo (SP)

Faculdade de Medicina da USP

Santa Casa de Misericórdia

São José do Rio Preto (SP)

Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto 

Belo Horizonte (MG)

Universidade Federal de Minas Gerais

 

REGIÃO SUL

CIDADE

CENTRO DE PESQUISA

Porto Alegre (RS)

Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

 

 

 

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